Histórias de escola: bisa Irene
Bisa Irene estudou só até a 4ª série. Na época era preciso fazer um exame chamado Madureza para entrar na 5ª série. Ela não quis fazer, ou não passou, não sei ao certo. Naquele tempo mulheres não eram estimuladas a estudar. Na foto abaixo, se eu entendi direito, ela está na Escola Nipo-Brasileira que ficava menos de cem metros da casa dela, na Travessa Yamato. Teria estudado lá.

Figura 1 - Bisa Irene na Escola Nipo-Brasileira.
Mas não tenho certeza se são professores e colegas da escola dela, ela parece muito adulta na foto. É a terceira da direita para a esquerda, de blusa branca com o cabelo enroladinho (esse enroladinho é artificial, ela tinha o cabelo muito liso e fino; na época a permanente estava na moda). É possível que seja uma aula de corte e costura. Quando me explicaram eu era muito novo e não prestei atenção. Minha mãe não gostava de falar de coisas de escola, também. Acho que tinha vergonha de não ter estudado.
As irmãs dela, pelo pouco que sei, estudaram o mesmo ou menos que ela, ela era a caçula e os filhos mais novos, naquela geração, tiveram vida melhor que os mais velhos, nascidos no tempo da guerra e na zona rural. Minha mãe nasceu quando a família já morava na cidade, nunca morou em sítio. Não sei se os irmãos homens tiveram estudo, imagino que sim, um deles foi viajante de uma fábrica de móveis, Simbal, de Arapongas e o outro foi radialista, profissões que exigiam leitura. O pai e a mãe dela não sei se estudaram. A mãe acho que não. Meu vô Manoel devia ser alfabetizado, porque foi comerciante. Mas nunca o vi lendo ou escrevendo nada. Na casa deles nunca vi livros. Minha mãe lia fotonovelas quando era nova (uma espécie de história em quadrinhos romântica para moças, só que as cenas eram fotografadas com atores e não desenhadas). Quando eu era criança ela leu muitos dos livros do José Mauro de Vasconcelos (Meu pé de laranja lima, Vamos aquecer o sol, Confissões de frei abóbora, Rosinha minha canoa, alguns dos que me lembro), adorava. Depois de se mudar para Campo Grande (em 2003) passou a ler livros espíritas, Zibia Gasparetto principalmente.

Na foto acima ela aparece com a irmã Teresa, que devia ser uns 4 ou 5 anos mais velha. Nenhuma das irmãs aprendeu a dirigir ou teve trabalho fora da casa. A mais velha, Hilda, morou no sítio a vida toda.
Figura 1 - Bisa Irene na Escola Nipo-Brasileira.
Mas não tenho certeza se são professores e colegas da escola dela, ela parece muito adulta na foto. É a terceira da direita para a esquerda, de blusa branca com o cabelo enroladinho (esse enroladinho é artificial, ela tinha o cabelo muito liso e fino; na época a permanente estava na moda). É possível que seja uma aula de corte e costura. Quando me explicaram eu era muito novo e não prestei atenção. Minha mãe não gostava de falar de coisas de escola, também. Acho que tinha vergonha de não ter estudado.
As irmãs dela, pelo pouco que sei, estudaram o mesmo ou menos que ela, ela era a caçula e os filhos mais novos, naquela geração, tiveram vida melhor que os mais velhos, nascidos no tempo da guerra e na zona rural. Minha mãe nasceu quando a família já morava na cidade, nunca morou em sítio. Não sei se os irmãos homens tiveram estudo, imagino que sim, um deles foi viajante de uma fábrica de móveis, Simbal, de Arapongas e o outro foi radialista, profissões que exigiam leitura. O pai e a mãe dela não sei se estudaram. A mãe acho que não. Meu vô Manoel devia ser alfabetizado, porque foi comerciante. Mas nunca o vi lendo ou escrevendo nada. Na casa deles nunca vi livros. Minha mãe lia fotonovelas quando era nova (uma espécie de história em quadrinhos romântica para moças, só que as cenas eram fotografadas com atores e não desenhadas). Quando eu era criança ela leu muitos dos livros do José Mauro de Vasconcelos (Meu pé de laranja lima, Vamos aquecer o sol, Confissões de frei abóbora, Rosinha minha canoa, alguns dos que me lembro), adorava. Depois de se mudar para Campo Grande (em 2003) passou a ler livros espíritas, Zibia Gasparetto principalmente.
Na foto acima ela aparece com a irmã Teresa, que devia ser uns 4 ou 5 anos mais velha. Nenhuma das irmãs aprendeu a dirigir ou teve trabalho fora da casa. A mais velha, Hilda, morou no sítio a vida toda.
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